segunda-feira, 4 de abril de 2011

Jardim


Sorri um pouquinho nesse dia turbulento, cansativo, com uma pulsação terrivelmente estranha na cabeça. Percebi que é quando a gente deixa levar, deixa estar, certas coisas voltam a te corresponder e te mostrar um carinho gigante mesmo que tímido. Ela não veio apenas me contar das coisas dela, nem dizer apenas o quanto está bom pra ela ou o quanto ela está sendo boa no que faz. Também não veio me pedir como andam as coisas no intuito de poder contar as dela. Veio pra saber se eu estou bem, pra ouvir falar de mim também. Me fez sorrir, contando de passagens pequenas, mas que são significantes. Ela disse "vi ele hoje, com uma cara de saudade", "sente saudade daqui?". Me fez perguntas pequenas, rápidas mas de uma grande relevância. Me fez dar um pouco mais de mim inconscientemente, me relembrou que se eu estou aqui, longe de tudo, e se algumas pessoas realmente sentem saudade, é porque vai valer a pena, está valendo a pena. Lembro agora também de algumas passagens de final de semana. Eles me demonstrando carinho, amor, toda aquela coisa que eu sinto falta, por uma simples webcam. Meu sorriso grudado nas orelhas, e vontade de sair correndo daqui e de alguma maneira retribuir tudo isso. A cada dia que passa vou tentando fazer dos meus dias, os melhores possíveis, é um pouco terrível saber e pensar que isso tudo é só o começo de uma nova vida que não para tão cedo. Ter a certeza de que meus pais me soltaram pra vida, com cuidados, mas com força. Como os pássaros, eles mal sairam da casca, e necessitam aprender sozinhos. Hoje me deparei com tantas perguntas, e uma delas foi "será que tem algo guardado pra mim?", e logo de cara uma resposta duvidosa, e assustadora.. "acho que ninguém tem nada guardado, e sim a gente é que terá que fazer pra depois guardar". Desespero corre pelo rosto, em forma de água salgada, e de soluços momentâneos, mas se não tem coisas guardadas pra mim, farei o possível pra pelo menos guardar algo pro meu depois. Essa saudade me move todos os dias, mesmo que oscilando entre tristeza e esperança. Assim vou refazendo minhas forças, minhas fontes, meus valores. As vezes bebo minhas culpas, meu veneno, meu vinho. Escrevendo minhas cartas, meu recomeço, meu caminho.

Estou podando meu jardim, estou cuidando bem de mim.

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