quarta-feira, 26 de maio de 2010

Coragem II

Eu tinha saudade, dos dias de semana cheio, dos fins de semana divertidos. Saudade da correria, do “não tenho tempo pra nada”. Tinha saudade de dançar, encenar, das maquiagens improvisadas e dos cabelos onde madrugávamos fazendo... Das noites decorando peça, e mudando o sutaque pro nordestino... A um tempo parei pra pensar se adiantava alguma coisa só sentir saudade. Tem coisas que por mais que tenham feito parte do passado, como dançar, encenar, e essas coisas INTERESSANTES do passado, que podem sim voltar, que não precisam ficar na saudade. Era preguiça só sentir saudade e não colocar nada em prática. Hoje não sinto saudades, eu sinto prazer. O prazer de estar fazendo tudo isso de novo, dos dias se semana corridos, dos fins de semanas divertidos, de dançar, encenar, maquiagens improvisadas, noites decorando peça... Continuo tendo saudade dos irmãos, mas sei que em pouco tempo terei eles todos os dias dos meus próximos anos, e a gente ainda vai se dar muito mal um com o outro, assim como bem tambem. Saudade de quando a gente era criança, pequenininha e tirando o sorriso de todos, tenho certeza de que todo mundo tem, é natural essa saudade não volta, mas pode ser saciada quando chegam os filhos... Essas coisas de crianças, a gente sabe que aproveitou o máximo, e que isso não volta pra nós, mas volta em outras pessoas, outras crianças, e isso já basta. Saudade natural de quem viveu coisas bonitas. Mas eu ainda posso apontar com o dedo indicador e falar “legal bitcho”, ainda posso deitar no colo e dormir, ainda posso chorar como criança, ou tirar sorrisos dos outros. Posso ir pra vó, domingo de manhã e continuar e encomodar a tudo e a todos, a correr atrás das galinhas, ou de jogar lama nos primos. Eu ainda posso pintar quadros, ainda posso acampar, ganhar abraços, ainda posso fazer loucuras, e ter certezas e incertezas. Posso criar meu próprio mundo, mesmo sabendo que não posso fugir de minha realidade. Ainda posso pular corta, de me machucar jogando alguma coisa, posso brincar na chuva. Posso ser cara de pau, e dizer o que queria dizer, de dizer o que ta encomodando. Mania minha de achar que é ruim crescer. Todo mundo sabe que não é lá sempre tão divertido, mas faz parte da vida, e quando aprendemos que isso tem que acontecer, que não é na birra do medo de crescer que vai mudar alguma coisa, que vai melhor, é que começamos a entender o porque disso, e começamos a fazer o que queremos, pra ter um futuro melhor, como pessoas melhores e com pessoas melhores ao nosso lado também. Grandes merda se andaram olhando pra mim e me criticando, mandando eu criar vergonha na cara. A minha vergonha na cara sou eu quem faço, e não posso agradar todo mundo. Hoje ninguém me manda voltar embora cedo, ninguém me liga pra isso, também não preciso disso, criei os meus próprios limites. Ainda não sei lavar roupa, mas daqui um tempo me obrigarei haha. Faço minha comida quando eu quiser, arrumo minha cama. Já não sou o motivo das brigas de todos os almoços, aliás as brigas não mais acontecem... Não preciso mais aceitar o fato de não ter um colo, porque eu tenho colo quando eu preciso. Sei que sou a alegria de muita gente, e que continuarei sendo por muitos e muitos anos. Sei me virar sozinha, mas também sei que tem muita gente se preocupando comigo. Sei também, que aquela coisa de reclamarem disso e daquilo é mania... E isso não me encomoda. Meu pai? Meu pai entende, não totalmente, mas já mudou muito. Ele ainda reclama de muita coisa, mas eu já tenho compreensão suficiente pra ajudá-lo a compreender também as minhas situações. Meu pai tinha ciúmes quando eu arrumava namorado, hoje ele agradece por ter alguém do meu lado que realmente me faz feliz. Não me desespero pro saber que tenho que passar em uma faculdade, porque eu sei que desespero não leva a nada, e que eu sou capaz de tudo aquilo que sonhei pra mim. Sempre terá aqueles que “sabem só cobrar”, mas eu não sou obrigada a ficar pagando.. Tem muita gente me elogiando por ai, eu sei disso, sentem orgulho de mim sim. Mas quando esse elogio não vem, eu também não deixo me autoinferiorizar, porque não preciso dessa muleta que se chama elogio pra continuar a caminhar. Eu tenho duas pernas, tenho meus amigos, tenho meus braços, minha cabeça, tenho meus pais, meus irmãos e tenho o meu amor. Se for ver bem, não tenho do que reclamar, eu tenho tudo o que pedi, e sei que se eu continuar pedindo e me esforçando, eu continuarei a ter, pro resto da vida. Mesmo já tendo uma visão de tudo o que mudou em apenas alguns meses, e mesmo eu sabendo que terá dias sim que acordarei com vontade de dormir de novo, e o dia será cu, eu continuo precisando manter minha alma limpa. Coragem e determinação, era disso que eu precisava, só disso. Eu já tinha tudo... Não digo que já tenho essas duas qualidades 100%, mentiria. Hoje começo a ter, amanhã terei um pouco mais, e assim todos os dias, vou acrescentando coragem e determinação na minha vida, uns empurrãozinhos daqui, outros e lá, caminhando sozinha, sorrindo daqui, chorando de lá, não importa. Voltei a colocar em prática tudo aquilo que eu deveria mudar, coloquei em prática pra máquina do amadurecimento nunca parar, coloco nela a coragem todos os dias, é como o óleo de uma máquina velha. Coragem pra não cair novamente, coragem pra continuar assim, pra melhorar. Coragem!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Due - in uno


Nada me é tão caro quanto o meu amor. Amor que eu sinto pelas coisas que faço, que tenho, pelas pessoas que me rodeiam, pela natureza, pela minha vida, pelo meu amor. Há agitação constante e medo frequente em mim, e isso é natural? Gosto do mistério, mas respostas para as minhas perguntas é o que tento encontrar todas as manhãs. Pensei várias vezes no dia, quanto tempo estaria fazendo hoje. Não se parecem poucos como são, até parecem vidas. A gente se estranha, se encomoda, parece se enjoar e distanciar, mas nada como o que senti antes com qualquer outra pessoa. É uma distância natural – ao menos me parece. A gente sabe que o que tem lá dentro é mais forte do que qualquer maneira de se acordar todos os dias, ou algum dos dias da semana. Mas me bate uma vontade de perguntar (...) por onde anda você, tão distanciado, tão silencioso? Em que nova galáxia posso te encontrar outra vez (...) Vezenquando bate uma saudade, quase sempre. Hoje eu sai de casa tão feliz, que nem me lembrei que em algumas horas uma tristeza bate, me sacode, e me faz sentir estranha de uma maneira que eu não imaginava que poderia um dia me sentir. Não é fácil ser eu mesma ainda que me esconda atrás dessa cara de forte. Quando se deseja realmente alguma coisa, as palavras são inúteis. Remexo o cérebro e elas vêm, não raras, mas toneladas, e nem sempre consigo escrever tudo em um mísero texto que tentei fazer dos nossos meses. Mesmo sentindo falta durante o passar do dia, sinto que criei uma barreira que diferencia amor de dependência, não é tão nitido pra mim, mas consigo ficar sem você, três, quatro, dez dias quem sabe. Devo ter isso em mim – sinto que tenho e posso ter. Sei que você também pode, isso é o suficiente pra um relacionamento não se tornar doentiu. Mesmo pequena diante desse teu tamanho – em todas as maneiras – eu me sinto grande, grande em força de vontade, e não-desistência. Jamais quero te idolatrar, nem te pintar de ouro, também não quero colocar você pra trás – coisa ridícula seria. Quero apenas viver ao teu lado, e fazer com que sinta a importância que tem pra mim, e que saiba que há um enorme pedaço meu contigo. Aprendi a não ser egoísta – não tanto assim -, entendendo seus dias de “não faz sentido”. Já disse, tenho isso também – quem sabe as segundas feiras (?). Esse tempo ao teu lado, são poucos contados em dias e meses, mas são como vidas contadas em importância e amor.