terça-feira, 22 de junho de 2010
Independência
Ela tinha aproximadamente doze anos. Sua vontade era basicamente igual a das outras garotas de sua idade: chegar aos quinze anos. Foram três longos anos onde antes disso passava dias brincando de boneca, mas agora com aquela vontade de crescer intalada na garganta, não se passavam duas horas por semana fazendo isso. Por mais que a criança interior fosse ainda viva, não havia mais vontade daquelas coisas, queria coisas novas. Ela queria crescer, saber o que se passa na cabeça de seus pais, saber como era gostar de alguém, como era namorar alguém e ter certeza em construir uma família, ela tinha medo de fazer escolhas erradas, mas nada é maior que a vontade de crescer. Demorados a passar mas chegados, eis ali os quinze anos. No dia de seu aniversário ela se depara com muitas mudanças que até então não havia percebido. Ela ao envés de experimentar aquelas curiosidades só com quinze anos – como esperava – viu que antes disso já havia compartilhado de algumas sensações, e emoções. Achava que todas as pessoas que aparecessem na sua vida com quinze anos, seriam aquelas que estariam ali pro resto da vida. Bobagem. Ela se deparou com tantas mudanças, mas nada que tivesse muito haver com a atual idade. Já havia experimentado de várias coisas, e já havia sofrido um tanto que as outras garotas até então não sabiam como eram as coisas além de brincar de boneca. Ela foi precoce sim, por momento se arrependeu disso, mas por outros viu o quanto ela precisava amadurecer antes das outras. Como já havia conhecido várias coisas e aquela idade já havia “apodrecido” na sua vontade, desejou ter ao menos mais alguns anos... Mas antes de terminar de desejar, ela já estava dois anos mais velha, - um susto. Por tanto tempo ela desejou ser mais velha, conhecer várias coisas, que nesse momento se ela pudesse, mudaria o desejo, pediria pra permanecer ali, brincando de boneca.
É estranho quando a gente se depara com certas situações em certos momentos da vida, onde a decisão e a certeza do momento tem que fazer parte somente de você, sem opinião de mais ninguém. Tem tanta gente por ai que não conhece nadica de nada da vida, enquanto myself desejaria muitas vezes voltar no tempo, naquele em que a gente não sabia nada além de brincar. Chega um tempo que as decisões precisam ser tomadas por você mesmo, que não é mais o pai nem a mãe que decide que roupa você vai usar, e nem para onde você vai, que mamãe não vai adivinhar que comida lhe faz mal e tirá-la do seu cardápio, que o remédio para dor de cabeça é o chá que você mesmo tem que preparar, que a hora de estudar e o quanto você tem que estudar, é você quem limita. O seu futuro nunca foi dos seus pais, eles só são maiores que você até o ponto em que você já sabe sair sozinho pra uma festa. Uma festa é uma boa experiência de como pode ser sua vida lá fora, é uma miniatura da vida que você tem quando começa a levá-la sozinho.. A festa é cheia de pessoas diferentes, maneiras de aproveitar a festa uma diferente da outra, quem escolhe é você, se quer se inturmar, se quer tomar um porre, ou ficar sentada na mesa apenas observando. Se você quer encontrar alguém para dividir a “noite”, ou se prefere ficar na companhia dos amigos. É nesse momento, onde nossos pais percebem que criamos “assas” e queremos voar. Queremos? Na maioria das vezes nós criamos as asas, mas a vida ainda não nos ensinou como voar, e isso é algo que ninguém ensina, é coisa própria, voo teu. A vida não nos ensinou seja pelo medo que ainda nos prende, ou pela oportunidade deixada passar... Momentos em que nós mesmos devemos criar limites, criar vontades, obrigações e diversões. Ninguém mais vai plantar ou nos dar a comida na boca. Tudo, desde a semente regada, até o fruto tirado, isso começa a depender de nós, e isso pensa – e como pesa. Chega o momento em que não sabemos muito bem ainda o que é independência, só sabemos que temos que começar a tê-la, a se virar sozinhos. É chegado o tempo em que nem muletas, nem nada vão nos guiar, somos nós ali, sozinhos – no abstrato da palavra. Há aquele frio na barriga, mas aquela vontade, vontade de ir que brilha nos olhos, de crescer, de se mover com suas próprias pernas, com sua opinião e sua caracteristica pessoal. Há um medo muito grande por trás disso, é natural mas ao mesmo tempo existe lá no fundo, dentro de nós a coragem e a determinação que são maiores que qualquer medo bobo que nos enrosca, nós só precisamos abrir a porta para que elas aflorem. Há um medo muito grande em mim de escolher as coisas erradas pra minha vida pessoal. Mas lembro que a anos atrás também tive esse medo, e realmente, escolhi muitas coisas erradas, mas que se eu não as tivesse escolhido, jamais chegaria ao certo que estou agora, nada seria tão certo, nada seria tão prazeroso e tão bom se eu não soubesse o que foi errado um dia. E hoje dou mais um passo rumo ao meu futuro, erros virão, mas é consequência, futuro onde mesmo sendo incerto, lá no fundo eu sinto que muita coisa certa estará para mim. Não quero ficar mendigando, quero crescer e ver minha independência cresce junto comigo, até porque quem gosta de migalhas são os pombos da praça!
domingo, 20 de junho de 2010
Cresce ali dentro
Ele está deitado ao seu colo. Sua respiração é forte, e ele coloca todo o peso do corpo em cima dos seus ombros. Você ri, e sonha. Sonha que um dia isso possa acontecer todos os dias, que ele esteja deitado ao seu colo sem aquela camiseta vermelha que você havia tirado – aquela você mesma deu pra ele. Você sonha em já ter colocado os filhos pra dormir, e que agora quem está dormindo é ele, na mesma cama que você. Você não se importa de fazê-lo dormir, porque sabe que de manhã cedo, quem iria acordar primeiro e lhe fazer surpresas era ele. Você sonha com tudo isso, enquanto ele está deitado no colo. Você é brutalmente puxada de volta a realidade, quando uma mão toca sua cintura. E quando, com os olhos arregalados, você o fita, ele está sorrindo. Aquele malditamente perfeito sorriso que faz com que você perca todos os sentidos.. E ele está tirando os braços do lugar, você seria capaz de reclamar se não fosse tão petulante da sua parte. E se ele não estivesse fazendo isso para entrelaçar seus dedos com os dele. Deus, suas mãos se encaixam tão perfeitamente, seus dedos estão tão bem acomodados nesse aperto forte. A palma dele é quente, contrastando com a sua que está gelada, e isso envia arrepios por toda sua espinha. Você quase fecha os olhos pra sentir isso com a intensidade que merece. Sua mão no cabelo dele começa a fazer uma massagem suave em sua nuca. É a forma que você encontrou de dar a ele um pouco de prazer nisso também. Você sente como se tivesse se aproveitando dele por estar tão próximo, por sentir a ponta do nariz dele roçando na sua bochecha, por vê-lo dormir mesmo sendo por meia hora. Você fecha os olhos, você o aperta bem forte porque a respiração que ele soltou contra o seu maxilar foi capaz de fazer a situação piorar mais ainda. A sensação foi tão arrebatadora, que você não intencionou quando puxou o cabelo dele levemente, quando umedeceu os lábios. E você sentiu um aperto suave na sua cintura, como se estivesse te alertando que sim, ele estava ali, com você, por você. E você o beija com toda a paixão que sente, todo o amor reprimido e todo aquele trauma que haviam feito você passar, isso estava sendo liberado na forma quase que insana que vocês moviam os lábios. E a sincronia desses movimentos te fez duvidar se ao menos as almas de ambos não se conheciam, o beijo era tão certo que fazia acreditar que... que quem sabe numa vida passada, vocês também não estavam juntos. O ritmo do beijo só faz aumentar, é como se a cada vez que suas línguas se tocam, a cada vez que vocês mudam a posição da cabeça, é como se essa fosse a única forma que você encontra pra dizer que o ama, que o adora, o venera com cada fibra que compõe sua tez. Você o ama com sua alma. E isso é a única coisa que você pode pensar com certeza no momento. E tudo parece tanto com um sonho, que você começa a se desesperar quando o oxigênio se torna escasso. Você não quer aceitar a hipótese de ter que se descolar desses lábios e acordar pra uma realidade onde você não vai poder tê-lo de novo deitado no seu colo por um tempo. Então, você termina esse beijo, o enchendo de selinhos e ainda com os olhos fechados você o abraça fortemente, pedindo por carinho, implorando pra que ele não termine com seu sonho tão rapidamente como você imaginava. E ele não se afasta, pelo contrário, ele passa os dois braços por suas costas, te abraçando protetoramente, devotamente. E você encaixa a cabeça no pescoço dele, e você abre o maior sorriso de sua vida por estar inalando tão profundamente o cheiro de banho dele, você duvida se alguém é capaz de ser tão único e tão perfeito pra você, como ele. E você beija suavemente o seu pescoço, e se lembra de todas as vezes que se imaginou deixando uma marca lá, - ou pra ser mais realista, com ou sem ele, você sempre deixava marcas por lá. Uma pequena, suave e doce mordida. E como resposta, você ganha um som gutural e um aperto ainda maior no abraço. E você ri de canto, e ele se afasta de você, o suficiente pra olhar no seu rosto e selar seus lábios mais uma vez, mostrando que a cada segundo o amor cresce ali dentro, e que a cada minuto uma maneira diferente de mostrar isso é criada.
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