segunda-feira, 11 de julho de 2011

Em frente, sempre


Me dá um aperto junto. Parece que estou indo embora mais uma vez. Mesmo que não seja ruim ir embora, que seja até gratificante por saber que você pode, o ruim é depois olhar pros lados e ver que quem você tinha perto todos os dias você ja não tem mais. É ruim saber que o colo da mãe está cada vez mais longe, você está cada vez mais velho, e é hora de você mesmo se dar colo quando necessário. Ouço pessoas facilmente falando que ir embora é tudo o que elas queriam, que essa cidade não é mais o lugar, que querem ir embora porque as suas razões não estão mais aqui. O difícil é você também entender que provavelmente aquilo que você esperava acontecer, não irá - pelo menos não da maneira esperada. É melhor ir embora sem planejar, sem conhecer a rua que você vai morar, sem conhecer o lugar que você vai ficar. É bom ir embora. Você aprende a se conhecer, a conviver com você, e entende porque tanto seu pai implicava com aquela palavra, o porque de sua mãe estar sempre no seu pé e de sua irmã opinar nas suas roupas. Dá uma vontade louca de chorar junto com aqueles que vão, ja passei por isso e passo toda vez que tenho que voltar pra casa. Sofro junto, isso é bom? Não sei. Férias, isso é bom? ... Só sei que se eu pudesse, levava todos comigo. É bom vir, e rever a todos, sorrir, abraçar, beijar, mas e na hora de voltar? Tantas vezes abracei e chorei sem querer largar. É, um crescimento que todo mundo quer, mas quando chega a hora mudam-se os planos e queremos todos voltar, pra quando acabamos de nascer, pro colo da mãe, pro mimo do pai, pras brincadeiras no barro com os irmãos. Mas eles continuam ali, esperando o dia em que você vem, ou que eles vão. Eles vão envelhecer, você também. E ai, chegará a hora em que não será mais você que vai embora, são seus filhos, seus amigos, seus irmãos.. Por isso mesmo que não tão fácil - mas também não tão difícil - eu tento aproveitar, e me sentir feliz. Porque eu posso, e eu estou conseguindo. É a tal lei da vida, mesmo que meio torta, mas no devido lugar. E mais uma vez, eu vou.. deixando saudades, sentindo ainda saudades.. vou pra mudar mais um pouco.. crescer mais um pouco. E agora ele vai comigo. Uma saudade a menos, uma força a mais. Uma abraço a mais, um empecilho a menos. Uma lágrima a menos, uma briga a mais. Um beijo a mais, um amor a mais, um convivio a mais. E depois ninguém sabe se virão pessoas a mais, ou encontros a menos. Mas se depender da minha vontade e do meu sorriso.. Boas coisas virão. Cada vez mais.