- Algo raro ou comum mas ninguém
vê, ninguém diz? Sorri de dia, usa a sua melhor máscara. É transparente.
Não adianta se esconder, a transparência é real, é só cutucar que ela vai
reagir.
Bia leva uma ótima vida. Tem o
suficiente para sobreviver, tem uma família que a ama, um namorado maravilhoso
e amigos antigos. Antigos. O sorriso no rosto era o seu melhor adereço.
Brincava, cantava, sorria. Ela vivia de verdade. Mas isso tudo mudou quando
as feridas começaram a ficar expostas. Ficou difícil fazer amigos. Ela até
sorria, mas não era sempre, mudava constantemente de humor e a cada instante se
sentia sem chão. Elogios começaram a se tornar aversivos, o sentimento de
culpa por não se sentir bem era cada vez maior. Ela não sabia mais se estava no
lugar certo e de nada adiantaria pedir ajuda a alguém se o problema
estava ali, dentro dela, bem dentro, profundo. As pessoas podiam ver as folhas,
mas a raiz dessa árvore de problemas era só ela quem via e sentia.
Ela podia ter os dias de extremo buraco, mas ela não regava essa
planta encrustada. Ela rezava, cantava, fazia o individual, pois o
coletivo só aconteceria depois de se livrar de toda essa dor. Ela não culpa mais
ninguém, hoje ela sabe que para resolver as situações, era só ela com seu
próprio ser. Ela escreve, coloca o pé na terra, não força ninguém.
As pessoas ao seu redor parecem
estar sempre felizes. Mas será que isso é real? E se essas pessoas estiverem
usando máscaras também? Máscaras que escondem raízes encrustadas e doentias?
Máscaras que escondem bem, pintadas, rabiscadas, talvez até maiores escondendo
coisas bem piores. Talvez.
Mas mesmo com tanta dor, ela não
voltaria para mudar o que ela é. Ela sabe que ela veio para essa vida para
arrancar essa raiz. Ela já tirou do peito tanta erva-daninha, tanta mágoa,
tanta gente. O que ela é, é aquilo mesmo que ela escolheu ser.
Ela aceita a condição.
Ela aceita a condição.
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