sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Viver pra ser


Que saudade das janelas. Ar fresco que balança os cabelos, medo de cair, vontade de ficar. A xícara de café na mão. Um aperto. Aquele arrependimento por não ter feito mais, por não ter me cuidado mais.. Dormido menos, reclamado menos. Sorrisos foram tantos que poderiam ter sido mais. Me calei tanto. Sofri por tão pouco. Devia ter chorado mais. Não fiz por merecer. Podia ter dado menos despesas. Mais orgulho. A janela se tornou distante. Entraram por ela, tiraram meu sossego. Inevitável não sentir medo das pequenas coisas. As grandes parecem tão distantes. Um ano pra aprender, adaptar, sentir saudades e medos, criar espectativas e crescimento. Mas esse último me parece que foi tão pouco. E quem sabe?
Vontade de parar o tempo, aqui agora. Só por parar, pra sentir que ainda tem tempo e que eu posso me impor e opinar. Que eu posso me calar também. Pra lembrar de todos os erros. T-o-d-o-s. E cometer só alguns. Lembrar de todos os acertos. T-o-d-o-s. Não cometer nenhum. Não vale a pena.. O que ganhei com os acertos ainda me pertencem e jamais vão me deixar. Não quero-os de novo, ja os tenho. Quero alguns erros pra quebrar a cara e dessa vez sim - aprender. Tenho tantas pessoas a minha volta - poucas servem, mas consigo contá-las nos dedos das mãos e dos pés.. ainda falta. E é quando eu percebo os erros dos outros que eu rezo - Tomara que eu não desista de ser quem sou por nada nem ninguém deste mundo, por tudo que há de mal no mundo eu mereço o máximo tudo o que a vida tem de bom. E agradeço. É hora de voltar a enfrentar a pedra surda e cega a sós, sem outra ajuda além das minhas próprias mãos e da cabeça. O tempo não para, então o jeito é ser e viver.

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