domingo, 20 de junho de 2010
Cresce ali dentro
Ele está deitado ao seu colo. Sua respiração é forte, e ele coloca todo o peso do corpo em cima dos seus ombros. Você ri, e sonha. Sonha que um dia isso possa acontecer todos os dias, que ele esteja deitado ao seu colo sem aquela camiseta vermelha que você havia tirado – aquela você mesma deu pra ele. Você sonha em já ter colocado os filhos pra dormir, e que agora quem está dormindo é ele, na mesma cama que você. Você não se importa de fazê-lo dormir, porque sabe que de manhã cedo, quem iria acordar primeiro e lhe fazer surpresas era ele. Você sonha com tudo isso, enquanto ele está deitado no colo. Você é brutalmente puxada de volta a realidade, quando uma mão toca sua cintura. E quando, com os olhos arregalados, você o fita, ele está sorrindo. Aquele malditamente perfeito sorriso que faz com que você perca todos os sentidos.. E ele está tirando os braços do lugar, você seria capaz de reclamar se não fosse tão petulante da sua parte. E se ele não estivesse fazendo isso para entrelaçar seus dedos com os dele. Deus, suas mãos se encaixam tão perfeitamente, seus dedos estão tão bem acomodados nesse aperto forte. A palma dele é quente, contrastando com a sua que está gelada, e isso envia arrepios por toda sua espinha. Você quase fecha os olhos pra sentir isso com a intensidade que merece. Sua mão no cabelo dele começa a fazer uma massagem suave em sua nuca. É a forma que você encontrou de dar a ele um pouco de prazer nisso também. Você sente como se tivesse se aproveitando dele por estar tão próximo, por sentir a ponta do nariz dele roçando na sua bochecha, por vê-lo dormir mesmo sendo por meia hora. Você fecha os olhos, você o aperta bem forte porque a respiração que ele soltou contra o seu maxilar foi capaz de fazer a situação piorar mais ainda. A sensação foi tão arrebatadora, que você não intencionou quando puxou o cabelo dele levemente, quando umedeceu os lábios. E você sentiu um aperto suave na sua cintura, como se estivesse te alertando que sim, ele estava ali, com você, por você. E você o beija com toda a paixão que sente, todo o amor reprimido e todo aquele trauma que haviam feito você passar, isso estava sendo liberado na forma quase que insana que vocês moviam os lábios. E a sincronia desses movimentos te fez duvidar se ao menos as almas de ambos não se conheciam, o beijo era tão certo que fazia acreditar que... que quem sabe numa vida passada, vocês também não estavam juntos. O ritmo do beijo só faz aumentar, é como se a cada vez que suas línguas se tocam, a cada vez que vocês mudam a posição da cabeça, é como se essa fosse a única forma que você encontra pra dizer que o ama, que o adora, o venera com cada fibra que compõe sua tez. Você o ama com sua alma. E isso é a única coisa que você pode pensar com certeza no momento. E tudo parece tanto com um sonho, que você começa a se desesperar quando o oxigênio se torna escasso. Você não quer aceitar a hipótese de ter que se descolar desses lábios e acordar pra uma realidade onde você não vai poder tê-lo de novo deitado no seu colo por um tempo. Então, você termina esse beijo, o enchendo de selinhos e ainda com os olhos fechados você o abraça fortemente, pedindo por carinho, implorando pra que ele não termine com seu sonho tão rapidamente como você imaginava. E ele não se afasta, pelo contrário, ele passa os dois braços por suas costas, te abraçando protetoramente, devotamente. E você encaixa a cabeça no pescoço dele, e você abre o maior sorriso de sua vida por estar inalando tão profundamente o cheiro de banho dele, você duvida se alguém é capaz de ser tão único e tão perfeito pra você, como ele. E você beija suavemente o seu pescoço, e se lembra de todas as vezes que se imaginou deixando uma marca lá, - ou pra ser mais realista, com ou sem ele, você sempre deixava marcas por lá. Uma pequena, suave e doce mordida. E como resposta, você ganha um som gutural e um aperto ainda maior no abraço. E você ri de canto, e ele se afasta de você, o suficiente pra olhar no seu rosto e selar seus lábios mais uma vez, mostrando que a cada segundo o amor cresce ali dentro, e que a cada minuto uma maneira diferente de mostrar isso é criada.
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