quinta-feira, 8 de abril de 2010
Coragem
Saudade dos dias de semana cheio, dos fins de semana divertidos. Saudade da correria, e do “não tenho tempo pra nada”. Saudade de dançar, encenar, das maquiagens improvisadas e dos cabelos onde madrugávamos fazendo. Das noite decorando peça, e mudando o sutaque pro nordestino. Saudade dos irmãos, e de quando eu era a criança pequenininha que tirava sorriso de todos. Saudade daquelas pessoas que elogiavam a minha voz e me chamavam pra tocar e cantar sempre. Dos jogos de mimica, ou de estratégia, dos luais com fogueira. Queria poder receber telefonemas no meio do domingo pedindo “vamos ensaiar hoje?”. Saudade das terças, das comidas improvisadas e das brincadeiras de lutinha na área de casa. Dos sábados do cachorro quente, ou dos domingos chuvosos assistindo filme. Saudade de chegar meio dia e ir na vizinha pedindo “Vani, tem boácha?” Saudade dos meus cabelinhos lisos, pretos e de franja, do meu olho puxado e de mostrar o dedo indicador e falar “legal bitcho”. De ir pra vó, e olharmos os primos todos garraios assim como você e brincar na lama. Saudade do colo do avô, da madrinha dando presente todo aniversário. Saudade de passar noites e noites aprendendo músicas novas, ou acordando cedinho pra ensaiar. Saudade de quando eu pintava quadros, de acampar, de ganhar abraços muitos no aniversário. Saudade das loucuras e das certezas. Saudade de criar o meu próprio mundo. Saudade dos churrascos de interior. De brincar no rio, de pular corda. De se machucar jogando handebol, de brincar na chuva. Saudade de ser cara de pau, de dizer o que queria e dizer o que é que ta encomodando. Não é que seja ruim crescer, mas é saber que antes você podia inventar a sua vida, todo mundo olhava pra você e sorria, te achava uma criança linda e espuleta. Hoje olham pra você e lhe criticam ou mandam criar vergonha na cara. Tá na hora de mudar de vida, ta na hora de estudar. Ta na hora de ir embora, ta na hora de se virar. Lavar as suas roupas, fazer a sua comida, limpar os calçados e ainda arrumar a cama. Mas tudo isso ainda é pouco e fácil de se aceitar, perto de você ter que aceitar que não terá mais o colo de sempre, que você já não é alegria, e sim o motivo da briga de todos os almoços. Que se você ta doente, você tem que procurar saber que chá natural terá que fazer, afinal se precisar de remédio reclamarão que ninguém trabalha só pra mim, nem só para os meus gastos. Quando eu entro pro banho, reclamam que gasto água demais, quando eu vou dormir, reclamam que durmo demais, quando eu lavo a louça “isso é só o que você faz”. E é quando tudo explode que o que você mais quer é ir embora, mas ai você lembra que quando você for embora, vai ter que usar as roupas rascadas porque “já mandamos dinheiro suficiente pra você, se precisa de mais trabalhe”, isso sem esquecer do fato que é mulher e gasta bem mais do que os homens, não por compulsão, mas por necessidade. Mas o teu pai, teu pai não entende. Teu pai reclama de te comprar um calçado enquanto pro filhos dos outros compra chocolate só pra agradar, e o filho do cara é bem mais velho que você. Teu pai tem ciúme quando você arranja um namorado, e isso é mais motivo pra reclamar – motivo ridículo por sinal. Você se desespera por saber que TEM que passar em uma faculdade, mas ninguém nunca te ajudou nos estudos, mesmo sabendo que você tinha e tem dificuldade. O que sabem é cobrar. Ninguém sabe elogiar, nem te motivar, e ai você vê que por mais que você precise disso, chega uma hora que essas “muletas” não valem mais pra nada. Você tem as duas pernas, e se acostumar com a muleta, quando ela não mais existir, você não conseguirá andar. E ai quando você chega na conclusão de que vai ser uma pressão cada vez maior, de cada vez mais reclamação e falta de amor e carinho, estando aqui ou indo embora daqui, a única atitude que você consegue tomar, é arrumar os fones de ouvido, colocar uma roupa específica e sair pra caminhar, correr, além de desbaratinar você ainda emagrece. Grande bosta crescer, ter dezoito anos deve ser um porre. Quem dera eu poder voltar pros meus quatro anos de idade. Mas ninguém ta imune disso, o que me conforta, além de saber que eu to muito melhor do que muita gente. Preciso manter minha alma limpa, e não ler novamente tudo o que escrevi. Afinal eu só iria ter mais vontade de apagar tudo do que continuar a escrever. Um desabafo talvez... Eu não sei o que seria isso. Mas eu só queria que o mundo me entendesse... quando nem eu entendo. Coragem, to precisando. Mas eu sinto que logo as coisas mudam. Eu sou de lua, esqueceu? É eu também tinha esquecido, e eu ja voltei a ser quem eu era antes, eu sinto, eu vejo, mas eu só preciso começar a colocar em prática tudo aquilo que eu fui, mas amadurecido mais real, mais normal, mais agora! Coragem.
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Entendo perfeitamente, linha por linha descrita aí!
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