Nossos encontros estavam cada vez mais decepcionantes, e não é de hoje que isso acontece. Há três meses atrás o nosso “fio” de amor e vontade de estar juntos foi arrebentada, talvez por insegurança no momento, mas agora entendo que foi porque devia ter sido naquele tempo, que uma hora ou outra iria acontecer porque o fio não era forte. Passado um tempo no fio foi feito um nó, mas não porque deveria ter sido feito, e sim porque havia um costume com aquele fio, havia um "achar" que deveria se fazer um nó, um "achar" que era isso e ponto final, e na realidade esse "achar" era tudo enganação haha, é como quando você chegar em casa e alguém estar sempre esperando por você, e então algum dia esse alguém já não está mais presente, você sentirá falta da espera, mesmo que esse alguém seja só a secretária do seu pai na obrigação de um trabalho ter que ficar sentada na cadeira todos os dias, aonde pra ela também é apenas um costume te ver chegar em casa, as vezes no mesmo horário todos os dias. Não adianta fazer nós nos finos fios, se o nó não desatar, alguma parte do fio vai arrebentar, é como dar segundas chances pras coisas, não rola. E ai você pensa “como não rola? Nunca vai dar certo então, nós temos que dar chances”. Não penso assim, as coisas que acontecem e se concluem rapidamente, são apenas testes que a vida te dá antes de lhe trazer o que realmente você merece, por isso não devemos nos sentir mal em termos vários relacionamentos quebrados, eles fazem parte do aprendizado, se não fez certo da primeira vez, grandes bostas, em vez de dar chance pra TENTAR fazer de novo, alguém pode estar a tua espera não pra TENTAR e sim pra FAZER. E quem irá querer fazer o teste duas vezes, três vezes, quando se sabe que o resultado é o mesmo? Como existe os testes que são uns atrás dos outros, existem também o tempo que se dá entre eles, o tempo de estudo, o tempo de ficar sozinhos, fazendo com que assim no próximo teste não temos mais tantos erros. As coisas precisam ser vividas intensamente, a prova deve ser feita com vontade, deve ser estudada antes se você não tem segurança, mas mesmo assim feita com vontade e depois haverá o entendimento, pra que no momento certo de receber o “bônus” não se deixe passar. Eu não amava você ao todo e isso não era normal, não conseguia deixar você feliz nem com a minha presença, faz sentido termos chegado a tal ponto. Que rebuliço de alma, uma palavra esgotaria. Nosso amor era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois e três são cinco. Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro, mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos nesse amor, não acreditava que te amava e eu não sabia o que sentia. Você nunca provou e nunca achou que precisava. O que mais poderíamos fazer era o que fazíamos: deixar acontecer naturalmente. O que não bastava para encher os dias! Chegou um momento que a verdadeira aflição se manifestava. Você passou a ser uma acusação de minha pobreza, além do mais, a solidão de um ao lado do outro, era muito maior do que quando estávamos sozinhos, e mais que maior: incômoda. Não havia paz. Indo depois cada um para seu lado, com alívio nem nos olhávamos mais. Houve uma pausa no curso das coisas, uma trégua que nos deu mais tempo pra colocar tudo no lugar. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam ás chamas da fogueira. Se tudo existe é porque sou. Sei que quando alguma coisa está errada, dá mal estar. Meu jogo é limpo. Não quero a impostura, recuso-me. Eu havia sentindo mal estar quando pensava em te ver ou quando o fazia, mas não era aquele mal estar que a gente sente quando o coração bate forte, e as mãos suam rapidamente, e sim aquele mal estar e vontade de dizer “deixa pra depois”. Eu me via na obrigação de sentir saudades e de dizer te amo, afinal eu estava com você, havia aceitado um compromisso, mas eu não estava em você. Mas essas obrigações sufocam, e o amor acaba desgastando. Se eu realmente te amasse não teria sedes estranhas por outras pessoas. E porque surgiram e ainda surgem em mim essas sedes? A chuva e as estrelas, essa mistura fria e densa me acordou, abriu as portas de meu bosque verde e claro. Aqui, junto a janela, o ar é mais calmo. Estrelas, estrelas, rezo. A palavra estala entre meus dentes em estilhaço frágeis. Porque não vem a chuva dentro de mim, eu quero ser estrela. Purificai-me um pouco e terei a massa desses seres que se guardam através da chuva. Eu gosto é do gosto da chuva, do brilho das estrelas e da lua, o sabor do vento em meu rosto. Sinto a liberdade de ser o que sou e de estar onde estou agora. Em imagens já vi outros olhos verterem lágrimas, em abraços, e eu estática, continuo com o sorriso, e os mesmos olhos de sempre, engatilhando sedução. Demorei mas aprendi, entendi a dor e a delícia de ser quem eu sou e não precisar fingir. Meu coração se enchera com a pior vontade de viver, e antes de dormir, como se apagasse uma vela, soprei a pequena flama do dia. Eu só precisava de uma prova pra tudo isso acontecer conosco, e eu tive, Já estou quase certa do que eu quero, mais alguns pontinhos e a moldura vai ficar perfeita.
“Não que eu ame menos o homem, mas amo mais a natureza, acredito que existe por ai, alguém que realmente me agüente. É engraçado como as coisas acontecem em dados momentos. O mundo não pode mais esperar, eu também não! Só de estar naquele lugar, e conseguir fazer as coisas por mim mesma, já me deixa bem.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário